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Moçambique: O dilema dos relacionamentos pai e filho

Moçambique: O dilema dos relacionamentos pai e filho

Porque a peça fez-me pensar? Não sei bem. SerÁ¡ porque o meu próprio pai não esteve presente durante uma fase da minha infância? SerÁ¡ porque quando regressou donde estivera, batia-me ao mÁ­nimo deslize comportamental do meu lado? SerÁ¡ porque ele sempre foi uma figura autoritÁ¡ria? SerÁ¡ porque é bÁ­gamo? Não sei. Só sei que eu e o meu pai temos uma relação complicada.

A verdade é que nunca consegui ter uma conversa de “homem a homemÀcom o meu pai. Invariavelmente, acabamos sempre desconversando. Torna-se difÁ­cil abrir-me com ele, tanto não seja porque penso que quer que eu arque o fardo das suas responsabilidades.

Moçambique: Como algumas cançÁµes perpetuam o patriarcado

“Essa dama é uma goya, xipixe xa nova xa kufana ni lexiya (gata selvagem parecida com a outra…À Este é o trecho de abertura de uma pretensa canção do pretenso género musical Pandza, que a partida parece pretender criticar o comportamento considerado promÁ­scuo de certas mulheres.

A tal pseudo-canção é da autoria dos Cizer Boss, com a participação de um tal de Dey. Portanto, são jovens do sexo masculino que talvez pretendam interpretar o social através das suas pseudo-cançÁµes. E no vÁ­deo aparecem moças, as tais goias, a dançarem com movimentos obscenos.

Obviamente que tanto a canção como o vÁ­deo são a representação de uma sub-cultura musical eivada de violência e sexismo Á  la “gangster rapÀ norte-americano. O conteúdo resume-se Á  objectivação sexual da mulher e seu corpo À“ nos Estados Unidos, alguns pesquisadores têm vindo a fazer estudos muito interessantes que até certo ponto estabelecem uma correlação entre os “rapsÀ violentos e desumanizantes e a alta do crime, especialmente dos casos de estupro.

Talvez em Moçambique precisemos de fazer estudos para ver até que ponto as mensagens e conteúdos (?) Pandzas não estejam a perpetuar os estereótipos do género, e ajudar na manutenção do sistema patriarcal que insiste em querer controlar o corpo da mulher, isto é, a mulher não pode decidir por si o que pode ou deixar de fazer com o seu corpo.

Moçambique: HeroÁ­nas, procuram-se

As histórias dos povos estão repletas de actos de bravura, coragem e heroÁ­smo. Porém, quase que invariavelmente os heróis são escritos no género masculino, isto é, são poucas as estórias de heroÁ­nas.

Moçambique celebrou no dia 3 de Fevereiro mas um dia alusivo aos heróis moçambicanos. Como de costume a nação foi Á  Praça dos Heróis depositar uma coroa de flores. Recordemo-nos de que estão depositados na cripta da Praça dos Heróis os restos mortais dos que a historiografia moçambicana designou de heróis.

Até parece que a escolha de quem deve entrar na cripta obedece Á  uma lógica patriarcal À“ apenas uma mulher é que conseguiu entrar na cripta; Josina Machel. Se a lógica inicial da designação de heróis respondia ao facto de todos terem estado envolvidos na Guerra de Libertação, pode questionar-se se não houve mulheres que tombaram no perÁ­odo da luta armada. Se a resposta for sim, como é que os seus restos mortais não foram parar na cripta?

Moçambique: Falta uma dimensão do género das cheias?

As chuvas que caem desde o inÁ­cio do ano em todo o paÁ­s jÁ¡ fizeram mais de 40 mortos, destruÁ­ram milhares de hectares de culturas diversas, destruÁ­ram infraestruturas, principalmente salas de aulas e estradas, e afectaram mais de 80.000 pessoas.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) criou vÁ¡rios centros de acolhimento nas zonas afectadas pelas cheias, sendo que a prioridade é dada Á s mulheres, crianças, idosos e doentes.

A avaliação preliminar que o governo moçambicano e a Organização das NaçÁµes Unidas fizeram indica que serão precisos 15 milhÁµes de dólares para operacionalizar a operação humanitÁ¡ria resultante das cheias no paÁ­s.

Moçambique: Mudanças climÁ¡ticas voltam a causar estragos

Moçambique volta mais uma vez a estar no centro de atençÁµes do mundo por causa de mais uma calamidade natural. Todavia, faltando nos discursos é a ligação entre as cheias e as mudanças climÁ¡ticas.

Essa constatação resulta do facto de que as mudanças climÁ¡ticas geram mudanças nos padrÁµes de temperaturas e precipitação, impactando sobre a saúde dos ecossistemas, produtividade agrÁ­cola, saúde humana, perda da biodiversidade, entre outros.

Moçambique: Usar as cheias como plataforma para mudanças sociais

Existem momentos que apesar da profunda tristeza que mergulham uma sociedade, podem e devem ser usados para se efectuar mudanças sociais – as cheias que se registam em Moçambique e parte da África Austral podem ser um ponto de partida para mudanças sociais.

Diversos estudos mostram que calamidades naturais têm um maior impacto sobre mulheres e crianças do que sobre os homens devido Á  sua situação de vulnerabilidade. Só em Moçambique morreram mais de 40 pessoas, mas apesar de nem as autoridades nem a comunicação social terem-nos dado uma desagregação dos mortos por sexo e idade, pode se arriscar que a maioria deve fazer parte do grupo mulheres e crianças.

Moçambique: Lidando com a violência baseada no género

A comunicação social moçambicana e internacional estÁ¡ cheia de casos diÁ¡rios de violência baseada no género, e particularmente sobre a violência contra a mulher, mas raramente se fala de como as vÁ­timas de violência lidaram com os efeitos dessa mesma violência.

A violência contra a mulher é um problema mundial e constitui uma das principais barreiras ao esforço da humanidade, na construção de um mundo de harmonia, amor, fraternidade e respeito pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, num contexto de famÁ­lias estÁ¡veis, que sejam de facto, bases sólidas que promovem e sustentam o desenvolvimento dos paÁ­ses.

Moçambique: Primeiras nas medalhas, ausentes na direcção desportiva

As mulheres moçambicanas jÁ¡ atingiram vÁ¡rias vitórias regionais, continentais e internacionais a nÁ­vel do desporto, mas essas vitórias ainda não se traduziram em mais mulheres nos cargos de direcção nas diversas federaçÁµes nacionais.

No chamado desporto-rei, o futebol, apenas hÁ¡ uma mulher no actual elenco directivo da Federação Moçambicana do Futebol. Na natação, existe uma mulher a exercer funçÁµes de directora-executiva. No atletismo, onde o paÁ­s se destacou com medalhas olÁ­mpicas conquistadas pela meio-fundista Lurdes Mutola, hÁ¡ uma presidente demissionÁ¡ria. A modalidade que por duas vezes elegeu mulheres ao cargo de presidente da federação é a de xadrez.

Desporto como factor de promoção da igualdade do género

As vitórias internacionais do bÁ¡squete feminino moçambicano colocam o desporto, o jornalismo, a sociedade e a polÁ­tica doméstica perante um desafio: o da equidade ou se quisermos da justiça de género.

Moçambique: RÁ¡dios ComunitÁ¡rias e vozes marginalizadas

Apesar de o Protocolo da SADC sobre Género e Desenvolvimento estabelecer como meta de igualdade e equidade do género nos meios de comunicação social até 2015, o último barómetro da sociedade civil sobre o protocolo constata que continua a prevaleceu um desequilÁ­brio no que tange Á  distribuição das fontes de informação das variadas instituiçÁµes dos média.

Se no sector dos média tradicionais a voz das mulheres continua a não se fazer ouvir, qual serÁ¡ o cenÁ¡rio nas rÁ¡dios comunitÁ¡rias cuja maioria em média localiza-se nas zonas rurais? A minha preocupação reside no facto de que as tais ditas normas culturais que perpetuam a dominação masculina parecem ser mais enraizadas em locais mais ruralizados.

O normal nesses locais é as mulheres e crianças serem silenciadas À“ longe dos olhares e longe das mentes, como soi dizer. Isso pressupÁµe que seria nas rÁ¡dios comunitÁ¡rias onde haveria maior resistência mormente Á  questão de dar voz aos marginalizados.

Moçambique: Para quando penas severas para perpetradores de violência sexual contra menores?

As leis são feitas para se adequar ao comportamento das pessoas, isto é, quando a sociedade muda, as leis também devem mudar. Vai daÁ­ que fica estranho que leis que datam do Século XIX ainda sejam usadas para julgar certas prÁ¡ticas criminais.

A questão é simples: as sociedades são dinâmicas e por isso hÁ¡ sempre necessidade de se regular a diversidade das condutas e relaçÁµes humanas. Não é por acaso que, por exemplo, se estÁ¡ a fazer a anÁ¡lise do actual Código Penal com mais de 125 anos por se considerar que o mesmo tornou-se obseleto e não estÁ¡ Á  altura de regular certas relaçÁµes sociais.

Moçambique: Um olhar Á  implementação da Lei sobre Violência Doméstica Praticada Contra a Mulher

Passados 3 anos pouco ou quase nada é falado publicamente sobre as consequências da lei 29/2009 sobre a sociedade moçambicana. Seria importante que pelo menos os que tomaram a dianteira na aprovação da lei estivessem a fazer a sua monitoria, com vista a sua implementação efectiva, quiçÁ¡ o ponto de situação em relação a taxa de incidência (dados que mostrem o aumento ou diminuição dos casos).

Ainda que sem um levantamento geral, dados isolados indicam que os casos de violência, sobretudo domestica, contra a mulher ainda tem incidido sobre vÁ¡rias famÁ­lias moçambicanas, sendo inclusive perpetrada por entidades que deviam ser implementadoras da lei (policias sobretudo).