Usar as TICs para comunicar as mudanças climÁ¡ticas para mulheres


Date: June 1, 2012
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Enquanto os tomadores de decisÁµes continuam a deliberar sobre o futuro do planeta, pessoas mais vulnerÁ¡veis ao aquecimento global permanecem em grande parte sem voz na esfera pública. Embora a comunicação social tradicional possa Á s estar a perder o comboio no que tange dar uma plataforma a essas vozes, os novos meios de comunicação estão a fornecer uma importante avenida na promoção de sensibilização e a dar as mulheres uma voz na discussão de questÁµes de mudanças climÁ¡ticas.

É um dado adquirido que os média sociais refizeram a sociedade. Facebook, Twitter, blogues, YouTube, e muitas outras formas dos novos média são instrumentos poderosos para os indivÁ­duos participarem e aceder espaços públicos como nunca antes. Os eventos recentes no mundo Á¡rabe mostram o valor e força da participação pública através dos novos média que dão voz e poder aos cidadãos.

Caroline Tagny, uma formadora canadiana em Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), disse que no respeitante Á s mudanças climÁ¡ticas, a comunicação social tradicional focaliza predominantemente a sua atenção nos debates em volta dos processos de negociação entre as naçÁµes e seus respectivos governos. O impacto das mudanças climÁ¡ticas na voz dos mais afectados é igualmente importante mas infelizmente tem sido posto do lado.

A internet e os novos média podem servir de plataforma para as mulheres produzirem conteúdos que faltam nos meios de comunicação tradicionais. “Se a comunicação social tradicional não estÁ¡ a cobrir este tipo de estórias, temos que encontrar outras formas de produzir meios de comunicação alternativos como blogar,” diz Tagny.
Se as pessoas tiverem acesso, a internet é uma das formas mais baratas de criar e distribuir conteúdos dos média. Segundo O’Neill e Boykoff (2010) no livro “Engajar o público nas mudanças climÁ¡ticas: Comunicação e Mudança Comportamental”, apenas 6.7% dos africanos são utentes da internet – uma taxa de 65.9 milhÁµes de pessoas num continente com cerca de um bilião de habitantes. Esta taxa representa 3.9% do total mundia, segundo as estatÁ­sticas de 2009.

Apesar desta baixa penetração da internet, Tagny acredita que ela permanece essencial na educação de pessoas e desmitificação do uso da internet. Ela indicou que o acesso iniquo não devia servir de desculpa para não saber ou ganhar conhecimento. Acrescentou que, embora haja alguma preocupação com relação o fosso digital, é importante deixar-se esse debate e entrar-se na discussão em volta do acesso e produção do conhecimento.

De 2000 Á  2009, o crescimento do número de utentes africanos cresceu em 1.360%, uma taxa progressiva e impressiva de acesso e uso no continente. Nesta parte do mundo, porém, muitos utentes da internet não possuem, e nunca usaram, um computador – os telefones celulares são o meio preferido.

Obviamente, nem toda a África estÁ¡ conectada, mas estratégias inovadoras de convergência casando os meios de comunicação social tradicionais e novos média também ganham terreno. Tornou-se mais importante conectar e reportar fora das estaçÁµes de rÁ¡dio e televisão através do uso da internet.

Nas margens da COP17, na Universidade de KwaZulu-Natal, a organização Women’s Net baseada na África do Sul, formou mulheres jornalistas a melhorarem o seu trabalho usando as ferramentas da Web 2.0 e plataformas das média sociais tais como Facebook e Twitter quando reportando sobre mudanças climÁ¡ticas. Os jornalistas desempenham um papel importante na reportagem de informação Á s comunidades.
Os meios de comunicação comunitÁ¡rios são particularmente importantes porque um dos seus mandatos é produzir diversos conteúdos dos média. Eles dão voz Á  muitas mulheres cujas estórias sobre mudanças climÁ¡ticas não são conhecidas.

Lee Tsomo da Eldoz FM em Joanesburgo, África do Sul, acredita que as mulheres têm o direito de ter voz nas discussÁµes sobre mudanças climÁ¡ticas e aceder Á  informação sobre adaptação. Acrescido a isso, ela mencionou que o impacto dos média sociais como uma plataforma para comunicação é grande.
“Podia ser maior se os governos podem fazer mais para ensinar as pessoas acerca das mudanças climÁ¡ticas através das tecnologias,” disse Tsomo.

Para além dos jornalistas, as organizaçÁµes de sociedade civil também formam uma componente importante no empoderamento de mulheres e raparigas para aceder informação e usar as TICs.

“As mulheres têm algo a dizer que é valioso, especÁ­fico e diferente,” disse Lerato Legoabe, co-directora da Women’s Net. “As mulheres constituem 52% da população e também merecem estar na esfera pública e serem ouvidas.”

Através das TIC’s, tornou-se possÁ­vel produzir estórias e experiências de mulheres rumo Á  uma maior integração dentro de um amplo espaço público. No contexto do debate sobre mudanças climÁ¡ticas, o poderoso acto de dar voz Á  mulheres para se exprimirem através dos serviços dos média online tais como blogues e Facebook é necessÁ¡rio.
Enquanto a comunicação social tradicional é frequentemente muito controlado pelos padrÁµes de propriedade e interesses privados que determinam o que é considerado importante para o consumo público, os novos média colocam o poder nas mãos do povo. Como foi dito por Legoabe, “a liberdade que surge com a internet permite-te decidir sobre o que publicar porque és o editor, o fotógrafo, o repórter.”

Ticha Tsedu é uma estagiÁ¡ria na Gender Links. Este artigo faz parte do Serviço de Opinião e ComentÁ¡rio da Gender Links.

 


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